Magia em tempo de inverno. Com a pele quente, sufocada pelas roupas excessivamente pesadas, ele se atenta aos novos vizinhos e seu olhar se prende aos movimentos da menina nova. Nova não só por chegar agora à vila, mas na idade que nao ultrapassa os dezesseis. Cabelos loiros, sem maquiagem, alta e com olhares tímidos, logo tem seu nome divulgado no chamado de sua mãe:
- Ana, entre ou ficará congelada!
Ela não responde. Apenas faz seu corpo mover-se dentro do seu jeans apertado e baixo. Isso agrava a hipnose de seu admirador e vizinho, o influenciando a refletir em pensamento:
- Ah, se eu tivesse a idade dela Seria a maior de todas as sortes! Sem dúvida isso será o meu limite. Não posso criar esperanças, tenho que esquecê-la.
Começava então a fixação pela garota que teria uma diferença de idade considerável e já assumida por ele.
Dia seguinte - um domingo - ele sai da cama só pelas nove, após uma noite de martírio e como resultado a esperança de tê-la por um dia talvez, encoraja-se e debruça na janela, se deparando com os lindos olhos verdes de Ana. Ela subtamente o vê e ele, ainda com muita coragem, encara após alguns desvios de olhar. Achando que a assustaria, ele resolve se recolher, até que um sinal com as mãos o motiva e - seguido de um sorriso - o faz acreditar piamente em um possível encontro.
Sorrisos trocados, agora amigos, Ana dá um sinal para que falem pessoalmente no terreno da frente de sua casa. Ele, apesar de inseguro pela sua idade, aceita e se encontram:
-Olá, eu sou Ana e tenho quinze anos, e você?
Assustado e sem contar com a opção da mentira, ele responde desviando seu olhar para o chão:
-Sou André e tenho apenas quatorze anos.
korn - blind
