Incuti na cabeça (?) das panelas a idéia de que elas são obrigadas a caber. O armário parece que não entendeu, o cano da pia atrapalhou e, faltando ainda cinco panelas, meu cotovelo desajeitado encontrou o cabo de uma que estava em posição delicada e todas voltaram estrondosamente à posição de origem. Na segunda tentativa tentei separar as tampas de um lado e as panelas do outro; não deu, panela sobre panela escorrega. Maldito dia em que inventaram panelas roliças. Tentei formar camadas: panela, tampas, panela… acabou o espaço.
Acabei me divertindo com isso até o entardecer, quando meu docinho de coco apareceu perguntando por que eu ainda não tinha terminado. Tentei mostrar a ela o problema, ao que, em dois minutos, ela colocou todas lá e fechou o armário. Ah, não! Antes que meu chuchuzinho fosse embora de cabeça erguida, abri o armário e todas despencaram ao chão. Adeus, panelinha de porcelana.
Com a paciência que lhe é peculiar, preferiu deixar toda a louça no quartinho reservado para um possível bebê. Os talheres foram junto para combinar. Ficou perfeito, até mandamos fazer uma placa de madeira com a inscrição “Quarto da cozinha”. Deve ser imaginação minha mas, nos primeiros dias, a comida tinha
cheiro de talco.
Faz dez anos que estamos casados, no mesmo apartamento. Optamos por não ter
filhos.
rob dougan - clubbed to death
